Tem o lado bom em ter um abrigo de volta pra ti, onde tu se sinta realmente em casa. Começo a acreditar em energias. As desse lugar estão ótimas. È como se pudesse sentir o cheiro de terra molhada sabe… essas coisas… “meu coração dói em uma dor que não consigo comunicar a ninguém”. Uma dor estranha. Doente. Não sei se de alívio, mágoa, saudade. Toca uma música melodiosa no rádio e eu nem faço a mínima questão de trocá-la. Levar o braço até lá seria um esforço imenso, pior do que levantar pra pegar o copo quente de cor preta, com “chá-preto” também quente, levá-lo até a boca…. Privação. É bom também.saber que a minha vida ta tomando outros rumos… desse jeito me impressiona. Saber que agora, nessa exato momento, depois dessa frase, eu já nem sou a mesma a mesma de quando sentei e comecei a escrever isso aqui, sem pretensão nenhuma, me assusta. Me faz sentir o tempo. Sempre empurrado pelo vento.
Os vendavais das últimas semanas desgrenharam meus cabelos mas secaram minhas roupas. Me sinto outra, mas ainda não sei lidar com essa outra que está sentada agora diante deste computador meio antigo, meio sujo, digitando palavras, frases que nem sabe, agora, se um dia alguém vai chegar a ler.
Os planos são outros já. E o passado é uma roupa que já não nos serve mais.
As últimas semanas passaram como meses… a bonitesa das pessoas chega a me assustar um pouco. Saem uns… entram outros… e me pergunto como deixamos as coisas chegarem onde estão. Mas não quero pensar, discutir, argumentar sobre isso agora. Elas, as coisas, as pessoas, se perdem e se acham numa incrível modalidade de tempo. Esse chorar por tudo quer ameaçou e não chegou a ser não combina com a estação. O cheiro é outro. As caras são outras. Eu sou outra. A porta abre porque eu empurro. E vou empurrar sempre. Tem um nó soltando na minha garganta. Me sinto assustada. Essa liberdade de poder ir e vir, agora, de repente, depois de tanto tempo… e o que fica de tudo isso? Apenas as lembranças?
Um amigo, velho novo amigo, me diz que tem de ser feito tudo agora. Na hora da vontade, na hora do impulso. Me admiro dessa maneira dele viver. Ele tem sede, e o copo ta cheio. Ver ele se derramando dessa água que nunca termina é delicioso. Eu sou a platéia torcendo pro copo não esvaziar. Pra sede não acabar. Ele lembra eu em outros tempos.
Hoje talvez seja um daqueles dias que você vê em filme norte-americano onde as pessoas fazem uma listinha: coisas que preciso fazer antes de morrer:
O que eu faria Antes de morrer?
Isso não foi um tom dramático. E foda-se! Pra ti foi? Foda-se… maldita leitura. Maldita subjetividade.
Hoje seria o tempo em que eu estaria pronta pra fazer coisas que eu fiz antigamente.
Estranho. Llógico, ao mesmo tempo.
Chorumelas no rádio.
Stop.
A música melhorou. E eu vou ficando por aqui. Coisas a fazer numa madrugada de sábado pra domingo. Bendito seja o impulso de todos os dias. Amém.
01h e 39min. Domingo – 12 de outubro de 2008. ao som de Damien Raci – Older Chests
camila